Conto de Fado


Cai a Branca Neve na floresta isolada e distante.

O Caçador procura sempre por novas presas.

Para fugir do frio reinante, necessita de muitas peles para se aquecer.

Os Anões inertes admiram e depois entram nas minas... escolhem e comparam as que ostentam mais forma nas paredes curvilíneas e maior abertura nas cavernas.

Cantam e exaltam o êxito do Caçador em suas empreitadas e pedem para participar delas.

Incentivam-no mais à busca de peles de animais perdidos e famintos. Animais, estes, que fogem e se escondem da Neve por ela ser indesejável - um impedimento - ao encontro de seu alimento.

Cada caçada é uma história contada para o imaginário de todos os homens da taberna e juntos seguem em mais uma procura, com suas lanças nas mãos.

A fama de exímio caçador e a admiração dos Anões dão a ele satisfação e êxtase - fora o próprio prazer da caça e da carne. Porém a satisfação é transitória... Ele procura por mais e mais... e não preenche a fome.

Em seu castelo de areia, a Rainha Bruxa tenta eliminar a Neve. Seu irreflexivo espelho lhe diz que é um obstáculo em seu caminho no reino.

Desesperada, joga seus feitiços negros e os frutos apodrecem devido ao veneno no plantio.
A Neve, então, desaparece e o ambiente torna-se árido.

Assim como o Caçador, ela queria livrar-se do frio congelante de seu escuro e mórbido mundo. Conseguem apenas por um curto tempo e superficialmente, mas descobrem que o gelo está eternamente dentro deles.

O frio continua em suas vidas; a Natureza está sob as trevas; a Neve derrete e vira rio... e todos fingem viver a Primavera.

Enquanto isso, o príncipe cai em sono profundo por recusar o beijo de amor em sua Alma.

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