O preço de ser Alma
Alma tinha poucos amigos na estrada.
Em meio aos amigos, nada era de mais.
Gostavam de sua presença por ser "escada",
que ao ser invisível era aceita aos demais.
Seus poucos amigos eram imagens;
imagens em um filme projetadas:
teatro, show, encenação, personagens,
mas que apesar disso acreditava.
Mas Alma, um dia, foi notada.
Seu brilho se fez claro por sua transparência.
O sol amanheceu em sua morada
e o mundo conheceu sua luminescência.
Sujeitos populares por ela se encantaram,
fazendo dela uma obsessão.
Multidão em torno dela eles juntaram,
atenta, agora, à sua inspiração.
Seus poucos amigos não acreditaram,
ao ver sua notoriedade e seu valor.
Com o seu destaque não se conformaram,
mas também quiseram o seu louvor.
Alguns desejaram a mesma admiração,
pegando aquele que a ela devotou.
Usaram o seu carisma e a sua projeção,
que ao seduzi-lo a ele conquistou.
Alma, assim, todos seus amigos perdeu
ao ter reconhecimento e reputação.
Mas amizade nunca de fato aconteceu,
pois lealdade não houve em sua exaltação.
Hoje, então, ela segue o caminho solitária.
Elevar-se como espírito custa o ganho de inimigos.
Tem apenas a Vida como amiga solidária,
que mesmo em tempestades não a deixa sem abrigo.



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