O que me salva


Vida, não me madraste mais.
Peço piedade e um pouco de paz.
Pergunto-me: o que foi que fiz,
para merecer essa morte por um triz?
Estou no chão de novo infelizmente.
E se eu levantar, não me chute novamente.
O chão é frio e duro, você bem sabe...
Quando consigo sair dele, você logo me bate.
Não há tempo nem para respirar,
pois quando inspiro já não tenho mais ar.
Acostumo-me ao chão, se você quiser.
Mas me dê um colchão assim que puder.
Vida, me explique: por que tanta dor?
Por que não posso acreditar no amor?
Apenas sei que a cada decepção vivida,
mais compaixão por mim em mim é sentida.
Será, essa, a sua real intenção?
Se for, por favor acredite: aprendi a lição.
A dor é tanta e tão funda em mim, 
que vira amor profundo, sem fim.
Amo tanto, que tanto dói na alma...
E de tanto doer, amo o que me salva.

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